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A onça Tião devorou Ricardo, o Rei da Floresta – por Marcelo José

fevereiro 2019

Quem consegue entender o estilo de Tião Gomes, saberá ser seu amigo pra vida toda. Porque toda a vida ele será. Porém, as incompreensões e patadas, transformam Tião numa fera ferida, e indomável, como diria o mestre Gilvan Freire.

Tião Gomes pode até ser acusado de ter estado aliado aos últimos governadores na Paraíba. Como quase que toda a maioria dos deputados já esteve. Mas Tião estabelece um limite para ser aliado, a linha tênue é ser ferido de morte.

Tião Gomes, nunca brigou para ser líder de Governo, nem para ser o preferido do governante. A única coisa que ele abominava sempre, era ser preterido.

Certa vez Tião Gomes declarou que estava feliz com Ricardo Coutinho. Não porque ele, Tião,  era o preferido, mas sobretudo porque não via privilégio do governante a qualquer de seus pares.

Tião Gomes esteve com Cássio, mas igualmente a Camará, rompeu e causou estragos irrecuperáveis. Tião Gomes foi protagonista no episódio dos cheques da FAC que resultaram na cassação de um governador do estado, fato jurídico, pela primeira vez ocorrido na Paraíba. Eu fiz a série de reportagens a partir de Tião Gomes. A primeira foi em Mari, minha terra.

Tião Gomes foi protagonista das eleições de 2010, quando após ser eleito deputado estadual com 30.638 votos, deu a resposta à   Maranhão, exatamente por ser preterido. Chamou os aliados e foi decisivo para a vitória de Ricardo Coutinho no segundo turno.

Tião Gomes foi o único deputado que manteve um presidente da antiga Empasa, por 8 anos, consecutivos. Nunca gerou dúvidas, nem medo, nem insegurança. Foi defensor inarredável e aguerrido do projeto de Ricardo Coutinho e do jardim Girassol.

Em 2015 , quando todos esperavam Ricardo Marcelo, reeleito para a presidência da Assembleia Legislativa , lá estava Tião Gomes, com a coragem, que só ele tem, para fazer a diferença, que só quem faz é quem tem coragem.

Arrancou fios, interrompeu a internet, superou a tecnologia e impôs ao plenário o voto em cédulas, igual aos tempos antigos lá na cidade de Areia, onde o menino Tião começou a se entender de gente.

Tudo fez Tião Gomes, não para ele, mas para beneficiar o grupo político, e líderes, que tiveram muito mais lucros. Apesar de tudo Tião Gomes, em reuniões fechadas a três ou quatro, era menosprezado e até ridicularizado.

Subestimaram Tião Gomes. O matuto brega do Brejo. Foi aí que começou a ruína. Tião apostou tudo na independência da Assembleia, e na confiança de outro matuto: Adriano Galdino, lá de Pocinhos. Era hora de sair de fundo do poço.

Numa estratégia, derradeira e fulminante, Tião Gomes, renunciou a disputa à presidência, mas lançou Adriano Galdino. Fulminante também foi o resultado : 23 votos a 13.  Com a coragem de Tião, o apoio da Oposição, e mais uns governistas insatisfeitos, Adriano Galdino, venceu o opositor Hervázio Bezerra, ex-líder do Governo, o próprio Governo e a máquina, e o ex-governador Ricardo Coutinho, que queria a todo custo eleger Hervázio , ninguém sabe porquê.

Adriano Galdino, agora é presidente pelos 4 anos. Por sua articulação e habilidade, mas também pela pela coragem de Tião Gomes. Era o único que poderia fazer o que era preciso para mostrar que aliado não deve se confundir com subordinado.

Às vésperas do escândalo da Cruz Vermelha, no Fantástico, só mesmo Tião, para proporcionar vitória tão histórica e fantástica de Galdino na Assembleia.

Com Blog do Marcelo José



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